POSTERGAÇÃO
É janeiro de 2026
e ainda estou aqui
a me perguntar
se ainda haverá
tempo de listar
desejos para um
ano novo.
Mamafrei
Jamais recomeço, renasço! Sou o silêncio do vácuo...gélido, hipnótico, profundo...Sou Mar e Cela...devaneando no obscuro(Mamafrei)
POSTERGAÇÃO
É janeiro de 2026
e ainda estou aqui
a me perguntar
se ainda haverá
tempo de listar
desejos para um
ano novo.
Mamafrei
Participação no Projeto Mulheres em cena na literatura potiguar: de leste a oeste
Participação no Documentário "Currais de Cantos (Di)versos"
https://youtu.be/xvm-ZA2lLW4?si=9NcqjL6oO4NjuLI2
Participação nas coletâneas:
CICLOS
DE CURRAIS
Gado
Em vastos
pastos
pastaram
gados
produzindo estrume
para o fino algodão
Algodão
Ao chegar a sua vez,
vestiu-se,
de puro linho,
o corpo de uma nova civilização.
Minério
De
minério
muitas
almas cristalinas
formaram-se
fundindo
fé
, coragem e trabalho
requisitos
necessários
para
novos currais em ação
Maria Marcela Freire (Mamafrei)
Tal poema também se encontra no blog/site : https://poemasdaprincesa.wixsite.com/poemas/poemas
Ano Novo, roupa nova?
Maria Marcela
Freire
Há, ainda neste 31
de dezembro de 2020, um frenesi nas lojas de todo o Brasil. Pessoas com
incumbências pessoais ou ditames sociais à procura de algo especial para
ornamentar simbolicamente seu corpo, ordinário corpo, na virada de ano, logo
mais à meia-noite.
A exemplo da
véspera do natal, elas saem de suas casas com o compromisso de se
satisfazerem ou satisfazerem a alguém comprando algo que, tradicionalmente, se
veem “obrigadas”a fazerem, talvez para se sentirem bem consigo mesmas.
No natal, algumas
mesas fartas. Sobremesa, rabanada; no Ano Novo, talvez, nas mesmas mesas
fartas, faltará alguém ou alguma coisa que este ano não possibilitou ter ou
acontecer. Desta forma, restando apenas a uma roupa nova, estrategicamente
pensada numa cor específica, fomentar a esperança de desejos não sublimados que
possam vir acontecer no novo ano que está prestes a iniciar.
Que a roupa nova
ou não que iremos vestir nesta entrada de ano novo seja uma nova roupa para as
nossas pobres almas carentes de atenção, ouvidoria e cuidado, desprovidas de
uma endumentária que nos acolha e nos dê o status de humanos que, há tempos,
estamos a perder.
DA
ARTE DE ESCREVER
Maria
Marcela Freire
Escrever,
assim como ler, é ato solitário. Entretanto, por vezes, assim como podemos
compartilhar leituras e torna-las um ato coletivo, colaborativo, de comunhão,
também podemos fazer da escrita, exercício íntimo compartilhável, desde que
exista, em cena, outro leitor além de mim, mero escrevente de entidades plurais
que constituem o meu eu interior.
Escrever
dói. Ler o outro também dói porque nunca sabemos, de fato, a quem iremos
atingir em cheio, feito flecha no alvo, a partir das nossas escritas, quer
sejam elas poéticas ou não.
Sendo
assim, escrever é um tiro no escuro; flecha lançada no alvo das subjetividades
humanas; ato repleto de intenções, mesmo que no subsolo de nossos pensamentos
mais obscuros. O alvo, o coração e a mente humana, simbolizados assim em emoção
e razão respectivamente. Ele (o alvo), muitas vezes, pode parecer estanque,
estático, mas é mutável de acordo com a recepção e percepção do leitor em
vários tempos, ao longo da história, e momentos/instantes da sua vida. Neste
sentido, escrever é consagrar o instante.
Escrever
é sinônimo de liberdade e de libertação. É puro ato de rebeldia, resistência e
honestidade com os seus próprios pensamentos e sentimentos. Afinal, se escreve
por quê? Para quê? Para quem? Para um
outro ou para mim mesmo?
Escreve-se
para um eu inevitavelmente coletivo; para falar por si mesmo, ressoando no
outro;
Escreve-se
para aliviar nossas inquietações, nossas angústias, nossas dúvidas, nossas
impressões e imprecisões do mundo, do outro e de nós mesmos;
Escreve-se
para exercitar a nossa humanidade e nossas experimentações;
Escreve-se
por identificação com ser humano, com a natureza e os animais;
Escreve-se
para imprimir nossa identidade, deixar a nossa marca registrada no mundo, de
maneira geral, ou no mundo particular de alguém;
Escreve-se,
portanto, para nos salvar de nós mesmos!
"CURRAIS NOVOS BONITA - Uma homenagem do Casarão de Poesia ao centenário de Currais Novos.
É o resultado de um projeto aprovado junto ao FIA (Fundo para a Infância e Adolescência), com o apoio do CMDCA e da Prefeitura Municipal de Currais Novos.
Além de alguns artistas da cidade, o vídeo conta com a valiosa participação de 13 crianças, adolescentes e jovens, através do apoio das escolas municipais Gilson Firmino, Salustiano Medeiros e Cipriano Lopes Galvão.
O projeto valoriza o protagonismo dos alunos participantes: com o apoio pedagógico da poeta Maria Marcela Freire, eles mesmos pensaram e gravaram sua participação, buscando uma identidade artística e valorizando seu território.
O cordel foi escrito por Iara Carvalho e tentou priorizar aspectos da história e da cultura, diferentes daquilo que é mais evidenciado na historiografia tradicional, focando na DIVERSIDADE que é marca de nosso povo".
Do direito à uva-passa e a outras coisas mais
Maria Marcela
Freire
Dezembro de 2020. As pessoas,
entre tantas outras coisas, se ocupam, diante de uma pandemia mundial, em
fazerem memes desdenhosos acerca da inocente e inculpavel uva-passa. Além de
ridicularizarem o valioso significado da versão brasilera da música: "So this
is christmas"(Então é natal).
Como se não bastasse, hoje,
véspera de natal, elas resolveram limitar os filmes com esta temática na sessão
da tarde, com medo de correrem o risco de serem acometidos pela temível
pieguice natalina crônica.
Pois bem. Meu sobrinho de três
anos tem sido poesia nesta vida tao ainda severinha pelo fato de ainda, talvez,
nao ter sido infectado pelo vírus do desdém cotidiano. Para ele, tudo ainda soa
como novidade e, por isso, dou-lhe o direito de não gostar de uva-passa , de
não saber ou querer cantar " Então é natal " e/ou
até mesmo de parar um instante para assistir a filmes de natal.
Vez em quando ele, em seus
ricos processos imaginativos, me chama de " pofessora" e finge
ser meu minúsculo quarto, uma sala escolar. Quando aceito o título Honório e o
incluo na estória confabulada, ele diz inocentemente: nao sou aluno, sou Mateus
Henrique!
Ele
está certo. Aluno, etimologicamente falando diz-se ser alguém sem luz e esta,
Mateus tem de sobra.
Percebi
ontem que, assim como eu, Mateus tem certo apreço por janelas. Quis que eu
retirasse uma que estava do canto da parede, pronta para ser posta numa casa
nova, só para que ele a observasse a exemplo do que ele faz com qualquer coisa
que, para ele ainda é desconhecida.
Há
poucas horas do natal, Mateus me fez ficar revoltada. Quero sim o direito à
gostar de uva-passa, de cantarolar, sem me sentir ridícula " Então é
natal" e de assistir a filmes natalinos piegas durante o mês
natalino e até mesmo poder estende-los a outros períodos do ano, sim!
Mateus
ainda não sabe, se eu tivesse a capacidade de fazê-lo entender ainda
agora...que quando a gente cresce, fica chato pra danado! A rotina cai sobre
nossos olhos como uma espécie de venda e sobre nossos ouvidos, em formato de fones
que só nos fazem ouvir a mesma música e bem baixa. Além disso, nos amordaçamos
(in)voluntariamente e deixamos de dizer/externar principalmente aquilo
que (não) nos agrada.
CARTA
ABERTA A TODOS(AS) QUE CONQUISTARAM O DIREITO AO VOTO
Currais
Novos, 12 de novembro de 2020
Saudações
a todos (as) que conquistaram o direito ao voto!
Sou
uma mulher, brasileira, nordestina, seridoense e curraisnovense que, neste
exato momento, pede, de maneira humilde e esperançosa, um olhar um pouco mais
atento à digna ação de votar de toda e qualquer pessoa apta a realizar tal
gesto de cidadania, compromisso e responsabilidade social.
Falo
aqui como uma simples leiga no assunto e me ponho nas mesmas condições de
qualquer pessoa que, de quatro em quatro anos ou de dois em dois anos, se vê na
“obrigação” de sair de casa e dar o voto de confiança a alguém, sob os ditames
da lei, que se disponibiliza a me representar, a representar meus direitos e,
por que não também, meus deveres diante da sociedade em que estou inserida?
Parece-me
sempre que, o momento pelo qual estamos passando é sempre o mais decisivo. Em
verdade o é. Se pensarmos bem, todo presente momento é único e, por isso,
significativo e importantíssimo para nós. Daí a necessidade de realizarmos
escolhas conscientes e firmes, pensando sempre no agora, em vistas para um
futuro próximo, bem próximo.
E
é, neste exato momento, que convido a todos a refletirem sobre suas, sobre
nossas escolhas. Sim, porque apesar da minha escolha parecer uma escolha
individual e singular, ela irá refletir de forma coletiva plural. Afinal, não
estou isolada do vasto mundo que me rodeia. Sou um ser sociável, vivo em
sociedade e, por isso, tudo que faço ou deixo de fazer reflete no outro, por
mais distante que ele me pareça ser.
Devo
confessar e ser honesta neste momento. Nunca fui de acompanhar e muito menos
que pesquisar, procurar saber a fundo quem era e quais eram as obras já
realizadas ou a pretensão de realização de obras futuras daqueles que se diziam
ou se candidataram a representante de meus direitos. Sou tão leiga e isso me
entristece, chega a me envergonhar tal falha e, reconhecendo tal lacuna no que
diz respeito à minha contribuição cidadã, reconheço que isso me deixa numa
situação de desvantagem, pois, se não procuro saber nada a respeito do cenário político,
a começar, da minha cidade, que dirá do meu Estado e do Brasil como todo, como surgirá
em mim o instinto de reflexão, o ensejo de dúvida e de questionamento e, por
conseguinte, o direito de me queixar e
de reclamar algo que , por ventura necessite ser apontado e reparado?
Portanto,
não deixem para fiscalizar ou exigir que se cumpram deveres e obrigações
daqueles que estão ou são responsáveis por gerir a coisa pública apenas de
quatro em quatro anos ou de dois em dois anos e, equivocadamente apenas, no instante
da votação. Precisamos andar, a todo o momento, de olhos bem abertos,
questionando e procurando saber o que eles estão fazendo ou farão a respeito de
nossos interesses, do interesse coletivo. É preciso, também, colocar a mão na
massa e procurar saber, a começar pela minha rua, pelo meu bairro, quais são as
suas principais necessidades e desta maneira, sugerir projetos de leis e
acompanhar tais sugestões e/ou solicitações durante as sessões nas câmaras de
vereadores.
Ao
fazer isso, estaremos conscientes de que a nossa parte estará sendo feita e,
desta maneira, teremos respaldo para averiguar e reclamar caso a parte deles,
dos nossos representantes legais, não esteja sendo feita.
Anote
seus planos de governo, crie uma espécie de dossiê, de portfólio, ou de scrapbook
com todas as informações (santinhos, panfletos, lista de propostas e promessas
de aspirantes a vereadores, prefeitos, deputados, senadores e presidentes). E
não se contente apenas com isso, pois isso será apenas uma espécie de material,
de ferramenta que você poderá, enquanto contribuinte da sua cidade, acompanhar
a gestão de cada candidato e usar como argumento para algo que eles
descumprirem ou deixarem de cumprir, conforme foi prometido em campanhas
eleitorais e durante o seu possível exercício de função, depois de eleito.
Portanto,
caríssimos e caríssimas, votem. Façam valer esse direito que, primeiramente foi
dado a poucos. Hoje ele é dado a todos e poucos fazem valer a importância que
ele tem. Não se omitam, nem sejam neutros. Sejam firmes e conscientes em suas
escolhas e lembrem-se sempre: minha escolha reflete em consequências não apenas
para mim, mas para todo o resto. Porque, de fato, “The other I am” (Eu sou o
outro) – Walt Whitman.
Abraço afetuoso a todos
e todas que farão valer, neste próximo domingo, o direito ao voto e o exercício
da democracia.
Professora e poeta/isa Maria Marcela Freire
Graduada em Letras – Língua Portuguesa/ Inglesa e
suas respectivas Literaturas (UFRN)
Pós-graduada Especialista em: Literatura e Ensino
(IFRN) e História e Cultura Africana e Afro-brasileira (UFRN)