sábado, 22 de novembro de 2008

Também



O drama jamais vestiu tão bem
o rosto pálido da agonia.
Taxado de maduro,
Amarelo-pardo
acuado e mudo
o drama tão bem
me enfastia e desnuda.
Quem diria...
Ele tão bem me deixa muda!
(Mamafrei)

Contra o tempo



O mundo tem pressa
tem sede e tem fome
O mundo tem ânsia
de chegar depois
mas algo me diz
algo me diz
que ele pode esperar
que ele pode esperar
por nós dois

(Mamafrei)

Inside


E viva à nossa negritude!
nossos avessos
negros segredos
Viva aos nossos obscuros!
traços de negros
quartos escuros
E viva a toda a nossa gente!
mente terrena
gente pequena
ente noturno
Viva ao nosso gélido medo!
que abafa
nos deixa mudos
translúcidos
(Mamafrei)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

deusa cem nome (À Fabiana)



Tu que és uma deusa sem nome,
sem raízes, sem lembranças
Sem forma, sem sentidos...
Dizes por aí que não sei quem és,
mas que sabes bem que sou.

Diz-me em segredo quem és ao pé do ouvido
que te mostrarei de fato do que capaz eu sou!
Pois assim te definirei:
Descascando-a, estimando-a.
Sentindo o aroma de terra remexida
a fertilizar alma feminina
que desabrocha em flor.

Desta maneira respondo ao teu clamor!
Chamar-te-ei pelo nome agora
pois neste momento
sinto-me estimulada,
fertilizada, provocada,
instigada, incitada;
foi-me inspirada a inquietante dor.

Fiquei tentada a descobrir-te,
desvelar-te, decifrar-te.
Tu, tu que me dizes não possuir nome
Roubarei, pois, o nome de uma deusa
E a batizarei com ar, água, terra e fogo
advindo de uma velha centelha
que conota amor,
porém denotando vez ou outra
desgosto de uma tímida flor.

Gaia, Geia ou Gê?
Divindade nascida do Caos
caos advindo das profundezas humanas.
Somente pessoas sensíveis hão de percebê-lo.
Perceberão tamanha artimanha.
Tão atávico, tão anárquico...
caos profundo
entre o ser, parecer e o querer ser.

Chamar-te-ia mãe terra,
Gaia se assim me permitisse
Mas tenho sido desafiada, argüida
e por isso, não me convenço
na primeira cena ser vencida.

Pensando bem,
a ti cabe o nome de deusa Hera,
deusa ciumenta, irônica e mordaz;
orgulhosa, obstinada e rixosa,
deusa excelsa, longe de ser fugaz.

A partir de então fazes parte
do grupo de magníficas deusas
que compõem a minha memória:
Psique, Diana e agora tu, Hera!
deusa da terra nascida, “torta”.

Mostra-me teus olhos, que sou mortal
Protege com a pena do teu pavão
o território que faz parte de mim imortal
Eu, Vênus(Afrodite), sua arquiinimiga,
Faço-me agora sua mais nova amiga.

Somemos nossas grandezas
Multipliquemos nossas,
tão nossas profundezas,
a estreiteza de nossos ciúmes sem fim;
dividamos nossas fatídicas belezas
Segredos, enigmas,
Labirintos do eu-outro
em ti e em mim.
(Mamafrei)

sábado, 8 de novembro de 2008

Saleiro



Por quem me tomas?
Por Saudade!
Sal da idade
que solda de longe
bem perto de mim
Saudade!
Soul longe
soul perto
soul dentro
de mim e de ti
Apenas saudades
Agridoces saudades
que escorregam meu eu
para bem pertinho de ti!
Saudade do severo não
querendo transformar-se
no jocoso sim
Saudade!
Saúde da idade
saúda a ida do meu eu em mim
(Mamafrei)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Aos vivos Mortos!



A Você,
espectro de redenção
fantasma que vive em comunhão
destroços a emaranhar
solidificações

A Você,
sombra da verdade
fulguras da maldade
reflexos de mim e de minhas
internalizações

A Você,
que finge viver a cada dia
mas perece de uma eterna
solidão vazia.
Não me diga em harmonia
que carece de alguém
para indicar-lhe os caminhos do coração

A Você,
simplesmente e exatamente
a você,
que chora pelos mortos Vivos
vive Morto e ainda sanciona
a vida através de vazias nominações

A você,
que se “diverte”
se embriaga
mas em nada se
compadece.
Pensa apenas que vive
enquanto seu eu desaparece

A você,
dedico meus anos de vivo Morto
Aos mortos Vivos,
dedico
meu respeito e gratidão
(Mamafrei)