domingo, 3 de janeiro de 2021
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Texto que escrevi em 31/12/2020 paravo Blog da APOESC
Ano Novo, roupa nova?
Maria Marcela
Freire
Há, ainda neste 31
de dezembro de 2020, um frenesi nas lojas de todo o Brasil. Pessoas com
incumbências pessoais ou ditames sociais à procura de algo especial para
ornamentar simbolicamente seu corpo, ordinário corpo, na virada de ano, logo
mais à meia-noite.
A exemplo da
véspera do natal, elas saem de suas casas com o compromisso de se
satisfazerem ou satisfazerem a alguém comprando algo que, tradicionalmente, se
veem “obrigadas”a fazerem, talvez para se sentirem bem consigo mesmas.
No natal, algumas
mesas fartas. Sobremesa, rabanada; no Ano Novo, talvez, nas mesmas mesas
fartas, faltará alguém ou alguma coisa que este ano não possibilitou ter ou
acontecer. Desta forma, restando apenas a uma roupa nova, estrategicamente
pensada numa cor específica, fomentar a esperança de desejos não sublimados que
possam vir acontecer no novo ano que está prestes a iniciar.
Que a roupa nova
ou não que iremos vestir nesta entrada de ano novo seja uma nova roupa para as
nossas pobres almas carentes de atenção, ouvidoria e cuidado, desprovidas de
uma endumentária que nos acolha e nos dê o status de humanos que, há tempos,
estamos a perder.
domingo, 27 de dezembro de 2020
Da arte de escrever
DA
ARTE DE ESCREVER
Maria
Marcela Freire
Escrever,
assim como ler, é ato solitário. Entretanto, por vezes, assim como podemos
compartilhar leituras e torna-las um ato coletivo, colaborativo, de comunhão,
também podemos fazer da escrita, exercício íntimo compartilhável, desde que
exista, em cena, outro leitor além de mim, mero escrevente de entidades plurais
que constituem o meu eu interior.
Escrever
dói. Ler o outro também dói porque nunca sabemos, de fato, a quem iremos
atingir em cheio, feito flecha no alvo, a partir das nossas escritas, quer
sejam elas poéticas ou não.
Sendo
assim, escrever é um tiro no escuro; flecha lançada no alvo das subjetividades
humanas; ato repleto de intenções, mesmo que no subsolo de nossos pensamentos
mais obscuros. O alvo, o coração e a mente humana, simbolizados assim em emoção
e razão respectivamente. Ele (o alvo), muitas vezes, pode parecer estanque,
estático, mas é mutável de acordo com a recepção e percepção do leitor em
vários tempos, ao longo da história, e momentos/instantes da sua vida. Neste
sentido, escrever é consagrar o instante.
Escrever
é sinônimo de liberdade e de libertação. É puro ato de rebeldia, resistência e
honestidade com os seus próprios pensamentos e sentimentos. Afinal, se escreve
por quê? Para quê? Para quem? Para um
outro ou para mim mesmo?
Escreve-se
para um eu inevitavelmente coletivo; para falar por si mesmo, ressoando no
outro;
Escreve-se
para aliviar nossas inquietações, nossas angústias, nossas dúvidas, nossas
impressões e imprecisões do mundo, do outro e de nós mesmos;
Escreve-se
para exercitar a nossa humanidade e nossas experimentações;
Escreve-se
por identificação com ser humano, com a natureza e os animais;
Escreve-se
para imprimir nossa identidade, deixar a nossa marca registrada no mundo, de
maneira geral, ou no mundo particular de alguém;
Escreve-se,
portanto, para nos salvar de nós mesmos!
Currais Novos Bonita
"CURRAIS NOVOS BONITA - Uma homenagem do Casarão de Poesia ao centenário de Currais Novos.
É o resultado de um projeto aprovado junto ao FIA (Fundo para a Infância e Adolescência), com o apoio do CMDCA e da Prefeitura Municipal de Currais Novos.
Além de alguns artistas da cidade, o vídeo conta com a valiosa participação de 13 crianças, adolescentes e jovens, através do apoio das escolas municipais Gilson Firmino, Salustiano Medeiros e Cipriano Lopes Galvão.
O projeto valoriza o protagonismo dos alunos participantes: com o apoio pedagógico da poeta Maria Marcela Freire, eles mesmos pensaram e gravaram sua participação, buscando uma identidade artística e valorizando seu território.
O cordel foi escrito por Iara Carvalho e tentou priorizar aspectos da história e da cultura, diferentes daquilo que é mais evidenciado na historiografia tradicional, focando na DIVERSIDADE que é marca de nosso povo".



