sábado, 15 de agosto de 2020

Texto que escrevi em 22 de setembro de 2019 para o blog da APOESC e para a página do Jornal Potiguar Notícias

 

Ler ou não ler: eis a questão


GLO-BO. Essa foi a minha primeira leitura do mundo estampada em uma tampa de uma panela. Havia acabado de pegá-la em minhas mãos a fim de enxugá-la e, de repente, como uma abrir e fechar de olhos, uma das descobertas mais fantástica do ser humano se instaurou naquele instante, naquele click em que meu cérebro conseguiu decodificar, pela primeira vez, o código da leitura e acendeu a luz do conhecimento por meio das letras.
O que fazer depois de tal descoberta, coube a mim e caberá a todo e qualquer leitor decidir continuar ou não decodificando não apenas o código da língua portuguesa, mas também de outras línguas, bem como e, essencialmente, o código de nossas literaturas, o código das mais diversas leituras que o mundo, de forma globalizada, pode nos oferecer por meio das palavras e de imagens.
Portanto, ler ou não ler não é apenas uma questão de empatia com as letras, com as palavras, imagens e situações que nos rodeiam. Diria, particularmente, que é também uma questão de vida ou de morte. De vida porque através da leitura, renovo-me enquanto ser diferenciado, reinstaurando e edificando minha humanidade e dignidade, ressignificando a minha vida e a de outrem; de morte porque não conhecendo a mim nem ao outro por meio da leitura, cairia no meu próprio esquecimento, seria acometida pela cegueira branca brilhantemente revelada por José Saramago em “Ensaios sobre a cegueira”. E, a fim de evitar tal tragédia em minha vida, resolvo compartilhar com você, caro leitor deste blog, o que fiz da minha vida após o descobrimento da minha primeira palavra lida.
Durante a minha infância, nunca tive acesso a livros, nem mesmo a revistas em quadrinhos. No entanto, inconscientemente, sabia o poder da magia das palavras. Ouvia meus irmãos mais velhos lerem e relerem, enquanto faziam as tarefas de casa, o poema de Cecília Meireles “A chácara do Chico Bolacha”. Na época, antiga 3ª série, o que me marcou foi a história do “Sonho de Pisca-Pisca” – D ´Olim Marote, além do poema “O  Menino Azul” – Cecília Meireles.  Esses primeiros textos que tive acesso estavam contidos em  livros didáticos. Por isso destaco a importância da escolha e do uso destes nas escolas, uma vez que o livro didático é, na maioria das vezes, o único livro/suporte textual que a maior parte dos estudantes têm acesso, pelo menos no início de sua vida estudantil. De modo que o livro, sendo um bem cultural, sempre foi e ainda é um “objeto de luxo”, usado por poucos, dado o seu alto valor aquisitivo.
Sempre fui de origem humilde. Meus pais foram agricultores e depois que saíram do campo e foram morar na cidade, passaram a construir uma família baseada em valores religiosos e sociais. Na época em que comecei meus estudos, meus pais eram semianalfabetos. Entretanto, há uma curiosidade quanto a este aspecto. Meu pai, apesar de quase não ler, passou a comprar livros àqueles “vendedores de porta”: era dicionário, enciclopédias, livros científicos e literatura brasileira e internacional. Minha irmã mais velha se esbaldava no mundo da leitura com tais clássicos. Eu ainda era uma leitora em potencial e continuei sendo-a até entrar na faculdade.
Na época da adolescência, dou destaque a algumas obras que, anos mais tarde teriam maior significado para mim se as relesse: “O Seminarista’, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “O vermelho e o negro”, “O Guarani”, “O Quinze”...
Na faculdade, o mundo da leitura, por fim, tornou-se amplo e ilimitado. Conheci os cânones, os clássicos e até mesmo a literatura de massa, bem como textos do Padre Fábio de Melo.
Depois da faculdade passei a ter autonomia quanto às minhas leituras. Tive a curiosidade de ler alguns textos bíblicos e fui seduzida pelo “Cântico dos Cânticos”, bem como pelos textos erótico-poéticos de mulheres potiguares, como: Marize Castro, Diva Cunha, Ana de Santana e Maria Maria Gomes.
O feminismo de Simone de Beauvoir e de Frida Kahlo me encantou. A potência reveladora da falta de humanidade dos homens retratada nos textos de Maria Carolina de Jesus e de Stela do Patrocínio deixou-me sem ar. Mas, antes disso, fui fisgada por Saint-Exupéry em seu livro: “O Pequeno Príncipe” e por “Uma professora muito maluquinha” de Ziraldo. Esses dois últimos ocupam um lugar especial em minhas memórias de leitura, pois são os que mais releio e faço releituras deles em meu dia a dia como Ser humano e como Ser Professora, não exatamente nesta ordem nem mesmo cogitando a possibilidade de haver uma desvinculação entre Ser humano e Ser Professora.
Sei que decepcionei o público leitor desta página ao não mencionar Dostoievski, Kafka, Dante ou Homero, entre outros. Não os li, mas conheci suas contribuições para o mundo a partir de outras leituras também tão significantes quanto. Caro leitor, se confissões lhe alegram, confesso que bebi da fonte de outros grandes: Fernando Pessoa, Shakespeare, Ovídio, Nietszche, Walt Whithman, , Khalil Gilbran, André Gide...e, nesse meio tempo ainda me encantei com Pablo Neruda, Octávio Paz, Eduardo Galeano, Florbela Espanca, Mia Couto, Conceição Evaristo, Adélia Prado, Odete Semedo, etc. Por fim, ainda há muitos desejos em realizar diversas leituras, como: “Cem anos de solidão” e “ O amor em tempos de guerra”, de Gabriel Garcia Marquez.
Entretanto, de nada valeriam tais leituras se antes, não tivesse tido o prazer de ser apresentada, pelos meus grandes mestres da faculdade, aos cânones nacionais: Machado de Assis,  Aluísio Azevedo, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Manoel de Barros, Clarice Lispector, bem como aos “cantores” da minha terra potiguar: José Bezerra Gomes, Luís Carlos Guimarães, Zila Mamede, Câmara Cascudo, Diógenes da Cunha Lima, Iara Maria Carvalho, Antônio Francisco , entre tantos outros já mencionados e que não foram por motivo de dispersão.
 Entre autores e obras, muitas reticências e muitas aprendizagens. Tornei-me além de leitora - de consumidora de tal bem cultural -, pesquisadora de alguns temas, poetisa, declamadora de versos e professora. Por onde passo, meus alunos conhecem essa minha paixão pelas palavras e sabem que ler ou não ler também pode ser uma questão política mas, antes de tudo,  é uma questão de sobrevivência.

In: 


Reconhecimento poético VI

 

Hoje, 15 de agosto de 2020, tive a grata surpresa de um poema meu intitulado “Os brutos” ( homenagem que fiz a José Bezerra Gomes) ter sido publicado na 5ª edição da revista “O galo”. Coisa linda de se ver. Confiram o poema acima  e, abaixo, o link de acesso a ele e a todo maravilhoso material publicado nesta revista que vem fazendo história no RN.

www.cultura.rn.gov.br

http://www.cultura.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=237789&ACT=&PAGE=&PARM=&LBL=NOT%CDCIA



Reconhecimento poético V

 

Em 14 de março de 2019 um poema meu, VIVENDO A PERIGO, foi publicado na Folha Poética. Grata aos idealizadores desta revista!

domingo, 21 de janeiro de 2018

Conclusão de: Reconhecimentos poéticos IV



Em 26 de outubro de 2016 foi lançado o livro digital “Cartas para Zila Mamede”. O mesmo está disponível no Repositório Institucional da UFRN.   Há uma carta minha endereçada à Zila.  Gostaria de conferir?  Vide página 125-126, acessando link abaixo:


https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/21450


Conclusão de: Reconhecimentos poéticos II


Como prometido, a publicação da coletânea 15 Poetas do RN (referente ao IX concurso de poesia Luís Carlos Guimarães 2014)  saiu e, tendo o livro em mãos, revelo os poemas que me ajudaram a conquistar a Menção Honrosa.

1 - Desejo

Pássaro multicolorido
se perde a asa
perdeu a libido

(Maria Marcela Freire - Mamafrei)

2 - Pelas paredes

Certa vez
uma barata subiu-lhe
pelas pernas.

E eu,
pelas paredes....

(Maria Marcela Freire - Mamafrei)

3 - Das linguagens

Preciso ler em tua língua
a língua que fala

teus dedos-falos.

(Maria Marcela Freire - Mamafrei)

4 - Saudade

É esboço que faço de ti
quando fecho os olhos
e um mar de memórias
arde em meus olhos,

afogando-me.

(Maria Marcela Freire - Mamafrei)

5 - Do (des)conhecer

Desconhecia a natureza
física do amor.

Seu toque
sua agitação
seu inconformismo

Desconhecia a mágica
das mãos;
o entrelaçar dos dedos
o calor que emana de suas digitais

Desconhecia a sensibilidade
de umas costas nuas;
das orelhas
nuca
braços e pernas
e outras coisas mais

Desconhecia a umidade
da flor
e a sua seiva
repleta de resina-poesia

Desconhecia o desejo
desenfreado;
a paixão medida
templo onde o amor é
Rei
e a sensualidade,
Rainha.

(Maria Marcela Freire - Mamafrei)

sábado, 28 de novembro de 2015

Entre silêncios

"Entre silêncios" é um conto de minha autoria que está inserto na coletânea de contos eróticos: Entre dedos...(2014) organizado por José Correia Torres Neto e ilustrado por José Clewton  do Nascimento
Entre silêncios
À penumbra de uma úmida madrugada, aquela flor-estrela-cadente repousava seu corpo ardente no altar do amor. Tuas pernas eram reluzentes caldas, poeira feita de passos de um ansioso dia; teus braços, asas que se abriam e fechavam à procura de um infinito abissal; teus ombros, tuas costas... eram muralhas transponíveis apenas ao suave toque do amor; teus seios piramidais exalavam beleza meduzina;  teu ventre segredava um buraco negro de existências; teus dedos...teus dedos eram pincéis que esboçavam existências!
E neste arrebol matinal, ela pôde ouvir o vento como nunca antes. Este por sua vez, trouxe-lhe o verbo-ambrósia. Nunca o verbo metamorfoseado em silêncio penetrou e percorreu tão profundamente os labirínticos ouvidos de alguém como conseguiu penetrar e percorrer os dela. Ele disse: hoje pude comprovar que o silêncio fala. E você soube tão bem ouvir o meu...Ela disse: você não conseguiu apenas penetrar e percorrer os labirintos dos ouvidos meus, mas também a minha alma. Ele: Estou viciado na endorfina provocada pelas tuas disritmias...a lembrança dos ecos dos teus gemidos e sussurros  me enlouquecem a cada segundo...
E a flor selvagem daquele Ser...tão...desabrochou. Abriu suas pétalas e bateu asas rumo ao desconhecido sentir do amor. Por alguns momentos sentia sua alma abandonar seu corpo e se fundir com outra, lacunar. Sentir o doce sabor da morte que transforma vidas era seu único fim. Morrer por segundos equivaleria viver por milênios. Ter a eternidade, o eterno, o etéreo ali, na palma da sua mão, na ponta dos seus dedos, mesmo que aquele mesmo vento lhe roubasse ar, o sossego, a sanidade de apenas estar...era seu único e mais sincero desejo.
O vento, por fim refletiu: Ninguém jamais saberá que uma flor-estrela-cadente passou na minha vida e me proporcionou o êxtase do amor, antes mesmo de conhecê-lo a dois em um único tempo. E, assim, somente assim terei certeza de que estarei presente em seu silêncio, pois serei o próprio silêncio, e estarei sempre ai, nessa galáxia, via láctea do amor, e mesmo sabendo que ela esteja corporeamente tão distante de mim, eu a ouço, eu a sinto daqui...

Maria Marcela Freire – Mamafrei
Currais Novos - RN

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Reconhecimentos poéticos IV

Participei do Projeto "Cartas para Zila Mamede"  e a minha carta foi também uma das selecionadas. Todas as cartas serão publicados em um e-book.

Eis a lista de todos os selecionados:
ALEXANDRE MAGNUS ABRANTES DE ALBUQUERQUE
ANA CRISTINA CAVALCANTI TINÔCO
ANCHELLA MONTE FERNANDES RIBEIRO DANTAS
ANDRÉIA CLARA GALVÃO
ANDREIA MARIA BRAZ DA SILVA.
ANGELA MARIA DE ALMEIDA
CANNIGGIA DE CARVALHO GOMES
CARLOS ROBERTO DE OLIVEIRA GURGEL
CLÁUDIA SUELI RODRIGUES SANTA ROSA
DIVA CUNHA
ELIONE FERREIRA DA SILVA
EULÁLIA DUARTE BARROS
FRANCISCO CARLOS DE SOUZA
GUSTAVO SOBRAL
HUMBERTO HERMENEGILDO DE ARAÚJO
IARA MARIA CARVALHO
ILANE FERREIRA CAVALCANTE_
IVANILDO QUIRINO DO NASCIMENTO
JEANNE DE ARAÚJO SILVA
JOÃO DA MATA COSTA
JÓIS ALBERTO DA SILVA
JOSÉ DA LUZ COSTA
JOSIMEY COSTA DA SILVA
LETICIA TORRES
MÁRIO IVO DANTAS CAVALCANTI
MARCOS SILVA
MARIA DA CONCEIÇÃO XAVIER DE ALMEIDA
MARIA JOSÉ GOMES
MARIA JOSÉ MAMEDE GALVÃO
MARIA MARCELA FEIRE
MARIA NIETE SANTOS DE MEDEIROS
MARINA RABELO CALDAS
MARISE ADRIANA MAMMEDE GALVÃO
MÔNICA KARINA SANTOS REIS
NINA RIZZI
NIVALDETE FERREIRA DA COSTA
PAULO DE MACEDO CALDAS NETO
PEDRO MAMEDE GALVÃO BRETAS LAGE
RILDECI MEDEIROS
THEO G. ALVES
THIAGO GONZAGA DOS SANTOS
W. D. CAVALCANTI (WELLINGTON DANTAS CAVALCANTI)

Reconhecimentos poéticos III

A felicidade bateu mais uma vez à minha porta. Conquistei o 2º lugar na décima edição do concurso de poesia Luís Carlos Guimarães. Esse 2º lugar teve gosto de 1º e menções honrosas. Teve gosto de reconhecimento literário-cultural. E viva à poesia potiguar!

Eis a lista completa dos 15 vencedores:
01° LUGAR “Peso” de Cefas de Carvalho Silva (Parnamirim)
02° LUGAR “Preenchendo Vazios” de Maria Marcela Freire (Currais Novos)
03° LUGAR “Para as Tardes da Chuva” de Paula Erica Batista de Oliveira (Currais Novos)
Menções honrosas:
1. “De novo Jardim” JEAN SARTIEF AMORIM DE FREITAS (Macaiba)
2. “Contemplação da Beleza” PAULO DE MACEDO CALDAS NETO (Natal)
3. “Nísia” SEVERO RICARDO SILVA NETO (Mossoró)
4. “Funduras” JEANNE ARAUJO (Ceara Mirim)
5. “Burocrata” WENYA DANTAS ROMARIZ MACHADO (Parnamirim)
6. “Lapso” PAULO HENRIQUE ALVES PINHEIRO (Natal)
7. “Homem” JEOVANIA PINHEIRO DO NASCIMENTO (Natal)
8. “Palavras” SHUARA CAMARA DAVI (Parnamirim)
9. “Casa” AUGUSTO BERNADINO DE MEDEIROS (Natal)
10. “Parahyba” FRANCISCO JUNIOR DAMASCENO (Martins)
11. “Venha ser de mim” THIAGO RODRIGO LIMA DE MEDEIROS (Natal)
12. “Sou comum demais para ser poeta” MARIA JOSÉ GOMES (Currais Novos)
13. “Volúpia” TATIANA DE MORAIS BARBOSA (Natal)
14. “Roda Gigante” MARINA REBELO CALDAS (Natal)
15. “Flores para Alípio” IARA MARIA CARVALHO (Currais Novos)

Reconhecimentos poéticos II

No finalzinho do ano de 2014 tive a grata surpresa, mais uma vez, de perceber meu nome na lista dos 15 vencedores do concurso de poesia Luís Carlos Guimarães (9ª EDIÇÃO). Desta vez não fiquei entre os três primeiros colocados. No entanto, a Menção Honrosa realmente causou-me honra e felicidade por, em mais uma instante em minha vida, perceber que a poesia potiguar aceitou-me como uma de suas produtoras e eu, com carinho, dedicação e compromisso, tenho correspondido ao seu chamado seja produzindo-a, consumindo-a ou apresentando-a por meio de recitais na cidade que tanto amo: Currais Novos e em suas irmãs-vizinhas: Lagoa Nova, Cerro Corá, Acari, Florânia..
OBS.: A publicação da coletânea ainda não saiu. Mas tão logo saia, postarei aqui os poemas vencedores.

Eis a lista de todos os vencedores:
Premiados:
1º Fábio Rodrigo Barbosa da Silva
2º Jeanne de Araújo
3º Cefas Carvalho
Menções honrosas:
Maria da Vitória Freire
Clecia dos Santos
Victor Hugo de Azevedo Macedo
Paulo André Bens
Adélia Danielli
Maria Regina Soares de Andrade
José J. D. Alencar
Vitor Hugo do Nascimento Ricardo
Maria Marcela Freire
Jean Sartief
Hadoock de Medeiros
Luiz Renato Dantas de Almeida

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Reconhecimentos poéticos

No ano de 2013 participei pela primeira vez de um concurso de poesia  e o resultado deixou-me tão surpresa que, somente hoje, quase um ano depois do resultado é que me toquei em publicá-lo aqui, onde minha exposição poética começou e me deu força e coragem para continuar o que eu ainda chamo de experimentações poéticas.

http://secretariadeculturarn.blogspot.com.br/search?updated-max=2013-10-30T09:59:00-03:00&max-results=7

Falo do 1º lugar que conquistei no VIII Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães, que tem como tradição selecionar e revelar 10 a 15 poetas do Rio Grande do Norte.


No dia do lançamento da coletânea contendo os 15 poetas do RN, fiz o discurso de agradecimento muito emocionada pelo fato de ter conquistado o 1º lugar em um concurso cujo nome homenageia um poeta curraisnovense, assim como eu, e pelo fato de ser "interiorana", mas, acima de tudo, Potiguar!




Ficaram curiosos para saber quais foram os 10 poemas vencedores? Ei-los abaixo:

1 - Vivendo a perigo

Quero amor silencioso,
balbucio

Quero lamber teu rosto
igual loba no cio.

(Maria Marcela Freire - Mamafrei)
 
2 - Dança do ventre

Clara odalisca
tua roupa

c

a

i

no ritmo
da minha saliva.

 (Maria Marcela Freire - Mamafrei)

3 - Em nome da pele

Minha pele anda tão faminta...

que devoraria o teu toque
nas curvas de uma esquina.

 (Maria Marcela Freire - Mamafrei)

4 - Braile

Aprendi a domar
meus medos

confiando em meus
próprios dedos.

(Maria Marcela Freire - Mamafrei)

5 - Estranha

Nas entranhas
não estranhais:

Entrarás
estranha

Sairás
mordaz...

 (Maria Marcela Freire - Mamafrei) 


6 - Exatidão

Com Marize
Castro-me jamais.

 (Maria Marcela Freire - Mamafrei) 


7 - Milagreira

Como um verbo
dentro de um ventre

Contorço-me
no útero do Ocidente.

(Maria Marcela Freire - Mamafrei) 


8 - Sol da minha infância

O sol da minha infância
queimou-me
as retinas

Nao pude mais enxergar
o que em mim
mais tinha. 

 (Maria Marcela Freire - Mamafrei)

9 - Antes que seja tarde demais

Antes que nosso desejo
se faça sol
no amanhecer duma noite

Antes que esse sol
resolva noite ser

Antes que a noite
nos cubra de ternuras

Antes que nossos corpos
sejam nossos lençóis

 Antes que o eu seja nós
olhemo-nos, amor,

que nesse singular instante
de pura adoração
e existência

a vida e o amor
habitam em nós

 (Maria Marcela Freire - Mamafrei) 

10 - Da solidão do óvulo

Mediante a fertilidade
do meu ser
Só,
ovulo.

Sinto o cheiro do desejo
eclodindo de minhas fendas

ainda tenras
ainda nós...

Ondulando
Ovulando

em cama larga
em cama
Só.

 (Maria Marcela Freire - Mamafrei)


Por último, mas não o menos importante, confiram a entrevista cedida a Eliade Pimentel, exibida no site da Secretaria Extraordinária  de Cultura do RN - Fundação José Augusto:


http://www.cultura.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=23316&ACT&PAGE&PARM&LBL=NOT%CDCIA