segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Passagem
Por esta janela
Que ser sol haverá de entrar
E macular o ser no meu eu
Que está a vagar?
Em cada fresta dela
Um raio de luz
Haverá de entrar
E preencherá
O que em ti resta
Um eu a sondar
Quem,
Quem então
Estará à janela
A ver o cortejo dos ventos
Uivantes a rondar?
Cá,
Os sonhos fogem por ela
Lá,
O intransponível a cerca
Cá,
A escuridão da agonia
Lá,
Veredas e árvore da vida
Menino destino
Aqui ou acolá
Ele ainda haverá de me encontrar.
Vês o manto verde da terra
Além da janela
A se confundir com o verde do mar?
Lá há folhas verdes e flores amarelas
O musgo invadindo
Meu eu aqui a se acomodar.
Tem cheiro de vidas passadas
Almas sofridas
Corpo e mente a se reencontrar
Aroma de uma fatídica vida
Presente e passado
A coexistir em um mesmo lugar
Futuro inserto em um tempo ferido
À lâmina d´aurora docemente
Pela janela a passar sorrindo...
(Mamafrei)
Que ser sol haverá de entrar
E macular o ser no meu eu
Que está a vagar?
Em cada fresta dela
Um raio de luz
Haverá de entrar
E preencherá
O que em ti resta
Um eu a sondar
Quem,
Quem então
Estará à janela
A ver o cortejo dos ventos
Uivantes a rondar?
Cá,
Os sonhos fogem por ela
Lá,
O intransponível a cerca
Cá,
A escuridão da agonia
Lá,
Veredas e árvore da vida
Menino destino
Aqui ou acolá
Ele ainda haverá de me encontrar.
Vês o manto verde da terra
Além da janela
A se confundir com o verde do mar?
Lá há folhas verdes e flores amarelas
O musgo invadindo
Meu eu aqui a se acomodar.
Tem cheiro de vidas passadas
Almas sofridas
Corpo e mente a se reencontrar
Aroma de uma fatídica vida
Presente e passado
A coexistir em um mesmo lugar
Futuro inserto em um tempo ferido
À lâmina d´aurora docemente
Pela janela a passar sorrindo...
(Mamafrei)
domingo, 4 de janeiro de 2009
Ser do Mar

Ò poderoso deus do mar,
o que será que esse ser
mais uma vez está a ocultar?
De quem será esse enigmático ato
dúbia donzela...
que se abre e se fecha
Como uma suave cancela?
Que vela sua face
e a revela somente ao mar
Que emoldura seu destino
fazendo de sua janela,
porta aberta para o mar?
É a “Mulher ao espelho”
Dantes poetizada
E agora mais uma vez
Utiliza os cabelos
Como escudo de sua morada
Teu olhar distante
se funde com o horizonte
e nele insiste em se perder
O céu nubla seus pensamentos
e cai como chuva sobre suas costas
o véu do anoitecer
O que há nas encostas
das suas costas nuas?
Por que tantos véus
pra velarem os olhos da lua?
Mesmo de olhos vendados
Ela capta seu ser...
Cinza, azul e castanho
Há de ser o que ele parece ser.
Mamafrei
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Tribudo à Vênus
Ó Vênus!
Estrela D´alva contínua
da manhã e vespertina
a brilhar sempre
como uma jóia em meu céu.
Estrela do Pastor,
tua luz é tão extrema
que em mim causa ardor
Deusa na terra renascida,
revela-me pela tua escrita
sereia dos lábios de mel.
Sedutora Afrodite,
tuas palavras, acredite
provocam-me estranheza
um verdadeiro escarcéu
de disse e não-disse
misteriosas lacunas
deixadas num branco papel.
Teus cabelos são como redes
a emaranhar coração de vários “Eros”
embriagando-os
com o aroma etéreo...
Ó femme fatal!
Teu olhar é tão doce e sereno
oblíquo, sinuoso;
insinuante e sensual...
Eles velam tristes belezas
dúbias certezas
de uma deusa descomunal.
Ó deusa do amor e da beleza,
tens pena dos homens
que ainda não a tens
como única e verdadeira certeza!
Deusa Citereia,
teu olhar zanago me desnuda
Poetiza o ar,
minha companheira segura!
Comparo o brilho do teu olhar com o da musa lua
Coberta por uma espessa camada
de nuvens em turbilhão
Planeta irmão da Terra
És tu, Vênus !
A atingir em cheio
e a modificar todos os corações.
(Mamafrei)
Efervescência
Um filho, uma vida!
Um sopro de vida expelido nas narinas
Verbo entrando em todo o teu ser
Minha vida!...reduplicada e estúpida vida!
Dúbio e estranho olhar do par(d)ecer
Alimento-te com este sangue
Que jorra das raízes dos mamilos meus
E acarinho-te em uma de tuas faces
Com esta arma
Esta bendita arma
Que um dia
Ainda há de me vencer
Ao Iludir-me que serás só meu
Um filho, minha cria!
Que repousa sobre meu branco peito
E descansa suavemente
Sua terna mão sobre o meu sensível leito
Dorme bichinho...
Sonha que estais sorrindo
Que estou a fazer cosquinha
Em seu obscuro umbiguinho
E que somos mais amigos
Do que parecemos ser
Somos afinal, Mãe e Filho
Dor igual a esta
Jamais iremos novamente padecer
(Mamafrei)
Um sopro de vida expelido nas narinas
Verbo entrando em todo o teu ser
Minha vida!...reduplicada e estúpida vida!
Dúbio e estranho olhar do par(d)ecer
Alimento-te com este sangue
Que jorra das raízes dos mamilos meus
E acarinho-te em uma de tuas faces
Com esta arma
Esta bendita arma
Que um dia
Ainda há de me vencer
Ao Iludir-me que serás só meu
Um filho, minha cria!
Que repousa sobre meu branco peito
E descansa suavemente
Sua terna mão sobre o meu sensível leito
Dorme bichinho...
Sonha que estais sorrindo
Que estou a fazer cosquinha
Em seu obscuro umbiguinho
E que somos mais amigos
Do que parecemos ser
Somos afinal, Mãe e Filho
Dor igual a esta
Jamais iremos novamente padecer
(Mamafrei)
sábado, 22 de novembro de 2008
Também
O drama jamais vestiu tão bem
o rosto pálido da agonia.
Taxado de maduro,
Amarelo-pardo
acuado e mudo
o drama tão bem
me enfastia e desnuda.
Quem diria...
Ele tão bem me deixa muda!
(Mamafrei)
Contra o tempo
O mundo tem pressa
tem sede e tem fome
O mundo tem ânsia
de chegar depois
mas algo me diz
algo me diz
que ele pode esperar
que ele pode esperar
por nós dois
(Mamafrei)
Inside
E viva à nossa negritude!
nossos avessos
negros segredos
Viva aos nossos obscuros!
traços de negros
quartos escuros
E viva a toda a nossa gente!
mente terrena
gente pequena
ente noturno
Viva ao nosso gélido medo!
que abafa
nos deixa mudos
translúcidos
(Mamafrei)
terça-feira, 11 de novembro de 2008
deusa cem nome (À Fabiana)
Tu que és uma deusa sem nome,
sem raízes, sem lembranças
Sem forma, sem sentidos...
Dizes por aí que não sei quem és,
mas que sabes bem que sou.
Diz-me em segredo quem és ao pé do ouvido
que te mostrarei de fato do que capaz eu sou!
Pois assim te definirei:
Descascando-a, estimando-a.
Sentindo o aroma de terra remexida
a fertilizar alma feminina
que desabrocha em flor.
Desta maneira respondo ao teu clamor!
Chamar-te-ei pelo nome agora
pois neste momento
sinto-me estimulada,
fertilizada, provocada,
instigada, incitada;
foi-me inspirada a inquietante dor.
Fiquei tentada a descobrir-te,
desvelar-te, decifrar-te.
Tu, tu que me dizes não possuir nome
Roubarei, pois, o nome de uma deusa
E a batizarei com ar, água, terra e fogo
advindo de uma velha centelha
que conota amor,
porém denotando vez ou outra
desgosto de uma tímida flor.
Gaia, Geia ou Gê?
Divindade nascida do Caos
caos advindo das profundezas humanas.
Somente pessoas sensíveis hão de percebê-lo.
Perceberão tamanha artimanha.
Tão atávico, tão anárquico...
caos profundo
entre o ser, parecer e o querer ser.
Chamar-te-ia mãe terra,
Gaia se assim me permitisse
Mas tenho sido desafiada, argüida
e por isso, não me convenço
na primeira cena ser vencida.
Pensando bem,
a ti cabe o nome de deusa Hera,
deusa ciumenta, irônica e mordaz;
orgulhosa, obstinada e rixosa,
deusa excelsa, longe de ser fugaz.
A partir de então fazes parte
do grupo de magníficas deusas
que compõem a minha memória:
Psique, Diana e agora tu, Hera!
deusa da terra nascida, “torta”.
Mostra-me teus olhos, que sou mortal
Protege com a pena do teu pavão
o território que faz parte de mim imortal
Eu, Vênus(Afrodite), sua arquiinimiga,
Faço-me agora sua mais nova amiga.
Somemos nossas grandezas
Multipliquemos nossas,
tão nossas profundezas,
a estreiteza de nossos ciúmes sem fim;
dividamos nossas fatídicas belezas
Segredos, enigmas,
Labirintos do eu-outro
em ti e em mim.
(Mamafrei)
sábado, 8 de novembro de 2008
Saleiro
Por quem me tomas?
Por Saudade!
Sal da idade
que solda de longe
bem perto de mim
Saudade!
Soul longe
soul perto
soul dentro
de mim e de ti
Apenas saudades
Agridoces saudades
que escorregam meu eu
para bem pertinho de ti!
Saudade do severo não
querendo transformar-se
no jocoso sim
Saudade!
Saúde da idade
saúda a ida do meu eu em mim
(Mamafrei)
Assinar:
Postagens (Atom)


